Ambas as religiões enfatizam rendição da mente, corpo e alma a Deus como os únicos meios de liberação. Quando o Senhor Jesus Cristo era interrogado pelos Fariseus sobre qual era o maior de todas os mandamentos, Ele respondeu claramente "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua a alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e o maior dos mandamentos" (Matheus 22:37-38). Semelhantemente todo o conteúdo do Bhagavad-gita é resumido no verso: "Abandona todas as variedades de religião e simplesmente rende-te a Mim. Eu te liberarei de todas as reações pecaminosas. Não temas." (Cap. 18, verso 66)
O apóstolo Paulo disse: "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12-1). No Bhagavad-gita Sri Krishna diz: "Pense em mim e converte-te em Meu devoto. Adora-me e oferece-Me tuas homenagens. Assim, virás a Mim impreterivelmente. Eu te prometo isto porque és Meu amigo muito querido" (Bhagavad-gita, Cap. 18, verso 65).
Deus e o Seu nome não são diferentes. Na Bíblia é dito "Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai" (Filipenses 2.10-11) e "Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10-13). A principal oração ensinada por Jesus Cristo começa assim, "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (Matheus 6.9). Podemos ver também: "No principio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus" (Jo 1:1), "E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Atos 2:21) e "Eu lhes fiz conhecer o Teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e Eu neles esteja" (João 17:26).
O Srimad Bhagavatam diz "Os seres vivos, emaranhados nas complicadas redes de nascimento e morte, podem libertar-se de imediato, cantando, mesmo inconscientemente, o santo nome de Krishna, que é temido pelo medo personificado" (Srimad Bhagavatam, Canto 1, Cap. 1, verso 14).
Jesus Cristo disse: "Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo" (Matheus 5.21). O verbo matar é aplicado a matança de pessoas e animais, não vegetais. Quando é só dirigido a pessoas, temos o verbo "assassinar". Portanto é claro que Jesus Cristo se referia aqui a matança de animais também. As escrituras Védicas deixam muito claro que a matança de animais é algo extremamente pecaminoso, que impede o nosso avanço espiritual. Sri Krishna diz: "Se uma pessoa Me oferecer com amor e devoção uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu aceitarei." (Bhagavad-gita, Cap. 9, verso 26). Sri Krishna diz também, "Os devotos do Senhor se liberam de toda a classe de pecados porque comem alimentos que são primeiro oferecidos em sacrifício [oferecidos ao Senhor]. Os demais, que preparam os alimentos para gozo pessoal dos sentidos, em verdade só comem pecado." (Bhagavad-gita, Cap. 3, verso 13).
Na Bíblia encontramos várias outras referências ao vegetarianismo:
"E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento." (Gênesis 1:29)
"Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim, o Éden, para o cultivar e guardar. E lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente ..." (Gênesis 2:15-16)
Passaram muitos anos e a humanidade decaiu, então foram escravizados, empreenderam guerras, comeram animais e cometeram vários outros atos violentos. Mas os profetas nos falam que um reino pacífico virá o qual será não violento e vegetariano. Onde, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leãozinho e o animal cevado andarão juntos e um menino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha com o boi." (Isaiah 11:6-7)
Jesus é o Principe da Paz que introduz solenemente esta nova era de não-violência. Quando os cristãos rezam, "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" é a uma oração dada a nós por Jesus, que obriga-nos a mudar nossas vidas, fazer escolhas que são misericordiosas e amorosas quanto possível. Não haverá nenhuma fazenda de exploração animal nem matadouros no céu.
Deus criou cada animal com a capacidade de sentir dor e sofrimento físico ou mental. Mas, nas fazendas de exploração, animais tem seus chifres arrancados, seus bicos queimados e são castrados sem anestesia. Visando a maximização de lucros eles são confinados em cubículos apertados e são alterados geneticamente, de forma que a maioria sofrem deficiências físicas e deformações ósseas porque suas pernas não podem sustentar os corpos cientificamente aumentados. Finalmente eles são transportados em caminhões sem comida e água, muitas vezes através de temperaturas extremas com destino a uma morte amedrontadora e infernal.
Jesus Cristo diz: "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoados aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre, Amém." (Matheus 6:9-13)
Para mais informações sobre o vegetarianismo na Bíblia e no Cristianismo, clique aqui.
O apóstolo Paulo disse: "Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6.7). Moisés escreveu: "Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam" (Êxodo 20.5) - "Mas se não fizerdes assim, estareis pecando contra o Senhor; e estais certos de que o vosso pecado vos há de atingir" (Números 23.32) - "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás" (Gênesis 3.19). O Bhagavad-gita está baseado na reencarnação e reação kármica, e declara que enquanto o corpo é provisório, a alma nunca morre (Bhagavad-gita, Cap. 2, verso 12) e todo o mundo está sofrendo ou desfrutando os resultados das reações kármicas passadas e presentes.
O apóstolo João disse: "No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1.1) "Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo" (João 8.28). "Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto Ele faz o Filho o faz igualmente" (João 5-19). Semelhantemente, todas as escrituras Védicas declaram que a "sabda" ou "palavra" de Deus, ouvida de um Guru ou mestre espiritual autêntico é o único modo para fazer avanços espirituais. No Bhagavad-gita, Sri Krishna ordena: "Tenta aprender a verdade aproximando-te de um mestre espiritual. Faze-lhe perguntas com submissão e presta-lhe serviço. As almas auto-realizadas te podem transmitir conhecimento porque viram a verdade" (Bhagavad-gita, Cap. 4, verso 34). O Mukunda Upanishad (1.2.12) declara que um estudante sincero tem que chegar a um guru ideal para receber conhecimento transcendental e esclarecimento.
No Livro do Apocalipse é dito: "E ali não haverá mais noite e não necessitarão de luz de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 22.5). Semelhantemente Sri Krishna diz: "Essa Minha morada suprema não é iluminada pelo sol ou pela lua, nem pelo fogo ou pela eletricidade. Aqueles que a alcançam jamais retornam a este mundo material" (Bhagavad-gita, Cap. 15, verso 6). Assim ambas as escrituras falam sobre a morada eterna, indestrutível morada do Senhor e iluminada pelo Seu esplendor.
O nome de Cristo revela alguma coisa sobre Seu caráter. A palavra Cristo ou "Christos" é a tradução grega do Hebraico "Messias" que quer dizer "o consagrado ou o ungido". Nas escrituras Védicas alguém que foi consagrado deste modo ou foi autorizado é chamado um avatar (alguém que desce), mais especificamente um "shaktyavesa avatara" - um que foi autorizado diretamente por Deus para descer para uma missão particular. No Brahma Samhita (Texto 46), é dito "A luz de uma vela que é passada a outras velas, embora queimando separadamente delas, é a mesma em sua qualidade. Eu adoro o Senhor Govinda que se exibe igualmente da mesma maneira nas Suas várias manifestações".
O nome Jesus é derivado do nome Hebraico Joshua ou Jahveh, significando salvação ou libertação. Jesus é chamado assim porque ele salva ou livra os Seus fiéis do pecado. "Ela dará a luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Matheus 1:21). Semelhantemente, Sri Krishna declara: "Sempre e onde haja um declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e um aumento predominante da irreligião - neste momento Eu próprio desço". Bhagavad-gita (4.7-8) Quando Krishna diz que Ele próprio desce as escrituras explicam que isso significa 1) Ele vem pessoalmente, como fez a 5000 anos na Sua forma original de Krishna ou a 500 anos atrás como o Senhor Caitanya Mahaprabhu ou 2) Ele manda um representante Seu, como o Senhor Jesus Cristo, Muhammad, ou Sua Divina Graça Srila Prabhupada e sua sociedade, a ISKCON.
Dualidade de Deus e entidade viva
Jesus disse: "Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu." (João 4.28). No Bhagavad-gita está escrito: "As entidades vivas neste mundo condicionado são minhas eternas partes fragmentárias. Por força da vida condicionada, elas empreendem árdua luta com os seis sentidos, entre os quais se inclui a mente" (Bhagavad-gita, Cap. 15, verso 7). Assim em ambas as filosofias há uma distinção clara feita entre Deus e a entidade viva.
Igualdade de todas entidades vivas
No Gênesis está escrito: "Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom". (Genesis 1.15). Sri Krishna diz: "Ó filho de Kunti, deve-se compreender que é com o nascimento nesta natureza material que todas as entidades vivas, em todas as espécies de vida, tornam-se possíveis, e que Eu sou o pai que dá a semente". (Bhagavad-gita, Cap. 14, verso 4) Deus é o Pai de todas as entidades vivas, não só os seres humanos. Portanto não temos o direito de matar ou maltratar outras entidades vivas desnecessariamente.
Ambas as filosofias ordenam que aqueles que estão agüentando os resultados das suas atividades, boas ou ruins, mas se rendem imediatamente a Deus são perdoados de todos os pecados. Esta rendição deve ser genuína, pelo coração, não só pela língua. O significado de perdão é que uma vez perdoado, a atividade ofensiva é parada. Por exemplo o Senhor Jesus perdoou uma adúltera com a proibição "E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; Vái-te e não peques mais." (João 8.11). Vemos também: "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã." (Isaías 1.18). Sri Krishna diz: "Mesmo que alguém cometa ações das mais abomináveis, se estiver ocupado em serviço devocional dever ser considerado santo porque está devidamente situado em sua determinação. Ele logo se torna virtuoso e alcança paz duradoura. Ó filho de Kunti, declare ousadamente que Meu devoto jamais perece." (Bhagavad-gita, Cap. 9, versos 30-31).
Assim nós vemos que há muitas semelhanças nas duas filosofias. Religião significa as leis de Deus. Pode haver diferença em práticas - na realidade haverá diferenças em práticas baseado em tempo, lugar e circunstâncias. Sri Krishna diz que de acordo com o modo da sua natureza a pessoa evolui um tipo particular de fé (Bhagavad-gita, Cap. 17, verso 3). O sábio que entende isto, procura os caminhos da consciência de Deus, conforme as Suas instruções originais, sem qualquer interpretação incentivada. Mas a essência de todas as religiões de tem que ser a mesma cultivar a constante consciência de Krishna, ou de Deus, e assim desenvolver amor puro por Ele. A vantagem das escrituras védicas, é que nelas nós encontramos descrições detalhadas e científicas desse processo, sem limitações geográficas, culturais ou temporais, que todos podem aplicar em suas vidas, independente de sua idade, raça, cor, sexo, nacionalidade, religião, etc.